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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A tentar seriamente não ficar louca

A pouco mais de um mês de mudar de vida, e por mudar de vida entende-se mudar de trabalho, de casa e de região (o que aqui em França é quase tão difícil como mudar de planeta), ando a fazer um sério esforço para não dar em maluca.

Então e porque haveria eu de dar em maluca? Hum... não sei, talvez porque, embora todos nos queixemos da burocracia em Portugal, aqui tudo seja 500 vezes mais complicado, mas lento e mais desagradável de ser tratado, vista a imensa falta amabilidade da população em geral. Porém, há que referir que apesar de tudo me têm aparecido assim uns anjinhos da guarda que lá me têm ajudado a avançar neste processo árduo e complexo da mudança e a eles o meu imenso OBRIGADO! Mesmo que nunca o venham a ler, espero que de alguma forma saibam e sintam a imensa gratidão que tenho por eles.

Não fossem todas estas questões burocráticas e poderia bem dar em maluca na mesma, visto que continuo sem casa, embora já tenha feito alguns avanços e visto de tudo um pouco, coisas que nunca me teriam ocorrido se não as tivesse visto ao vivo e a cores. A melhor e que não pode passar sem ser relatada foi a presença de uma sanita dentro da cabine de duche. Sim, não é mito, não foi um pesadelo, é a realidade, numa casa cujo aluguer se encontra nos 1400euros por mês há esta espécie de híbrido, de dois em um, de um "je ne sais pas quoi" (ah, lá está, já percebi de onde vem esta expressão!).

Tenho ainda a dizer que o trabalhao na clínica continua tão divertido como de costume, com pacientes loucos, caaaaada vez mais loucos a cada dia. Já não há pachorra, não há, digam o que disserem eu não sou uma pessoal paciente, muito menos calma e se é verdade que sou simpática, não é menos verdade que faço um esforço hercúleo para tal, por isso "fichez-moi la paix" queridinhos, ou vão rolar cabeças em vez de dentes!

Bem, tenho dito! Foi o desabafo dos últimos tempos, melhores dias virão, ou pelo menos, assim se espera...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Projetos para viver debaixo da ponte

Bom dia!

Hoje permiti-me acordar um pouco mais tarde, o que já não acontecia tenho a impressão de que há um século. 

Como já referi por várias vezes, os dias têm sido bastante ocupados, pelo trabalho e por tudo o que se prende com os preparativos para a mudança que se avizinha. E avizinha-se a passos largos e assutadores, devo confessar, há todo um mundo de coisas para resolver e os ponteiros do relógio parecem rodar ao triplo da velocidade normal.

Uma das grandes preocupações neste momento é arranjar casa. Aparentemente para viver em Paris ou arredores é preciso ter um certo perfil muito muito específico: tem de se ter trabalho, um contrato sem termo fora do período de experiência, mas atenção que não se pode ganhar pouco - nem muito também! - há ali um intervalo que é preciso respeitar. Há que ter 500 mil documentos que o provem e tanto agências como particulares pedem todo o tipo de informações pessoais para "tirar a pinta" ao candidato ao arrendamento. Há uns dias, já no desespero, ao preencher mais uma "fiche de renseignement" dei por mim a pensar: "tanta pergunta, tanta pergunta, só falta pedir a árvore genealógica até à 9ª geração, o código genético... ah, e a copa do soutien!"

Bolas, fica mais díficil arranjar casa do que candidatar-se à presidência da República!!!